A exposição inédita Atlântico Sertão reúne mais de 70 artistas, de diferentes regiões, para apresentar o sertão como um território ampliado de resistência. O projeto ocupa todos os andares do edifício com pinturas, esculturas, fotografias e instalações que, sob uma perspectiva decolonial, transforma a arte em memória e afirmação. A mostra articula os conceitos simbólicos de “Atlântico” e “Sertão” em uma narrativa crítica sobre espaços historicamente marcados por violência e exclusão, reconfigurando-os como um campo de criação e defesa de direitos humanos.
Estruturada em seis eixos, a mostra reúne diferentes perspectivas curatoriais que, juntas, constroem uma leitura múltipla e contemporânea do sertão como território vivo, colorido, atravessado por dimensões históricas, espirituais, políticas e ambientais.
No núcleo Sertão Atlântico, com curadoria de Marcelo Campos, a mostra parte da relação entre terra e mar para abordar heranças indígenas, africanas e populares. Em Cosmologias em Movimento, da curadora Rita Vênus, os destaques são as práticas espirituais como formas de organização da vida e leitura do mundo. Em Ecologias Ancestrais e Futuros da Terra, de Thayná Trindade, está o sertão como um campo de conhecimento ancestral que resiste a lógicas externas e projeta possibilidades de continuidade.
A dimensão coletiva ganha centralidade em Comunidade, Retomada e Sertões Negros, com curadoria de Amanda Rezende, que evidencia modos de vida baseados na partilha, na oralidade e na memória. Em Arquivos Vivos, Grafias e Inscrições da Terra, a curadora Ariana Nuala propõe o sertão como um sistema ativo de registro, onde inscrições ancestrais dialogam com tecnologias contemporâneas e novas formas de arquivo.
Encerrando o percurso, Sertão Atlântico, Travessias e Poeiras que Vêm do Saara, de Jean Carlos Azuos, amplia a perspectiva ao conectar Brasil e África por meio de relações geológicas, históricas e culturais. O núcleo evidencia fluxos de pessoas e saberes que atravessam o Atlântico, reforçando a ideia de que o sertão é também um território de circulação e permanência, onde diferentes tempos e geografias seguem em diálogo.
Artistas participantes de Atlântico Sertão: Abiniel João Nascimento (PE), Adenor Gondim (BA), Alessandro Fracta (AM), Aline Motta (RJ), Amanda Melo (PE), Amilton (AL), Ana Neves (PE), Ana V. Lopes (RJ), André Vargas (RJ), Antonio Obá (DF), Antônio Sandes (AL), Aura do Nascimento (PE), Ayrson Heráclito (BA), biarritzzz (PE), Dalton Paula (DF), Denilson Baniwa (AM), Eliana Amorim (PE), Fykyá Pankararu (PE), Genauro (AL), George Teles (BA), Gervane de Paula (MT), Gilson Plano (GO), Gonçalves (AL), Gustavo Caboco (PR), J. Cunha (BA), Jaime Lauriano (SP), Jonas Van (CE) / Juno B (CE), Joaci do Pandeiro (AL), Joaci Lima (AL), José Alves (PE), José Cícero (AL), José Rufino (PB), Juraci Dórea (BA), Juniara (PE), Leonardo França (BA), Lidia Lisbôa (PR), Lita Cerqueira (BA), Lucélia Maciel (BA), Luiz Barroso (PB), Maria Lira Marques (MG), Maria Macêdo (CE), Maré de Matos (MG), Marlene Almeida (PB), Marcos da Matta (BA), Márvila Araújo (BA), Mayra Carvalho (RJ), Mestre Benon (AL), Mitsy Queiroz (PE), Moara Tupinambá (PA), Mônica Barbosa (PI), Nádia Taquary (BA), Naywá Moura (PI), Rafa Bqueer (PA), Rafael Chavez (RN), Rebeca Miguel (MG), rOnA (RJ), Rodrigo Braga (AM), Rose Afefé (BA) / Bysmarke Vaqueiro (BA), Rosana Paulino (SP), SouPixo (CE), Tainan Cabral (RJ), Thaís Iroko (RJ), Thiago Costa (PB), Trojany (CE), Tunga (PE), Ventura Profana (BA), Véio (SE), William Maia (RJ), Wisrah Villefort (MG), Xamânica (RJ) / Tayná Uràz (RJ), Yacunã Tuxá (BA), Yhuri Cruz (RJ), Zé di Cabeça (BA), Ziel Karapotó (AL), Zumví Arquivo Afro Fotográfico (BA), Àwon arákùnrin onísé-onà méta (BA)
Bate-papo com o curador geral, Marcelo Campos e as artistas Thaís Iroko, Rose Afefé e Lucélia Maciel – 15/04, quarta, às 10h
O curador geral da mostra, Marcelo Campos e as artistas Thaís Iroko, Rose Afefé e Lucélia Maciel compartilharão suas trajetórias e práticas artísticas, refletindo sobre memória, pertencimento e território em consonância com os eixos conceituais da exposição. A mediação será de Marina Maciel, idealizadora do projeto.
Mais do que uma conversa, a proposta se constrói como um campo de escuta e troca sensível, em que diferentes experiências artísticas se cruzam, evidenciando a potência das múltiplas narrativas presentes em Atlântico Sertão.
Encontros — conversa entre curadoria e artistas
Data: 15 de abril, quarta | Horário: 10h
Local: Cinema CCBB São Paulo | Capacidade: 60 vagas
Entrada: Gratuita, mediante retirada de ingressos na bilheteria do CCBB com uma hora de antecedência (sujeito à lotação)
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